Glosa por divergência de valores: quando o convênio recusa a guia por preço diferente da tabela
A glosa por divergência de valores acontece quando o preço lançado na guia não corresponde ao valor que a operadora tem cadastrado para aquele código de procedimento na tabela contratada. O sistema audita automaticamente e recusa o pagamento na diferença, mesmo que o procedimento e a autorização estejam corretos.
Time Salte11 min de leitura

O que é a divergência de valores na guia TISS?
É a diferença entre o valor informado pela clínica no campo de preço da guia e o valor que a operadora tem registrado para aquele mesmo código TUSS no contrato vigente. A auditoria eletrônica compara os dois campos e, quando não fecham, glosa a diferença ou a guia inteira, dependendo da regra de cada operadora.
Esse tipo de glosa é diferente da glosa por erro de preenchimento ou por falta de anexo. Aqui o procedimento está certo, o código está certo, mas o preço não está. Vale revisar também os erros no faturamento TISS que causam glosa automática para não confundir as duas causas na hora de montar o recurso.
Como funciona a tabela TUSS e quem define o preço?
A tabela TUSS é o padrão nacional de códigos e termos usados nas guias, mas ela não fixa o valor pago por procedimento. O preço de cada código é negociado entre a clínica e a operadora, dentro de um contrato de credenciamento.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar mantém o padrão TISS como componente organizacional que unifica a troca de informações entre prestadores e operadoras, incluindo os códigos de procedimento, mas a tabela de preços em si fica fora desse padrão. Duas operadoras podem pagar valores diferentes para o mesmo código TUSS, porque cada uma negociou sua própria tabela com a clínica.
Isso significa que a divergência de valores quase sempre nasce de um destes três pontos: a clínica lançou o preço da tabela errada, o sistema interno não foi atualizado depois de um reajuste, ou a operadora aplicou um índice diferente do acordado sem avisar.
Onde baixar a tabela TUSS oficial e como confirmar reajustes?
A tabela TUSS é publicada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar dentro da página do padrão TISS, no componente organizacional que reúne terminologia, códigos de procedimento e estrutura de troca de informação entre prestador e operadora. O documento do componente organizacional do padrão TISS traz a versão vigente das tabelas de domínio, incluindo TUSS, e deve ser consultado sempre que houver atualização de versão, porque a ANS publica revisões periódicas desse componente.
A tabela TUSS em si não muda de valor: ela padroniza o código e a descrição do procedimento em todo o país, para que qualquer operadora e qualquer prestador usem a mesma linguagem na guia. Quem muda de valor é a tabela de preços negociada em contrato, que fica fora do padrão TISS e é responsabilidade exclusiva de cada operadora e cada clínica acordarem entre si. Por isso, confirmar reajuste de preço nunca é buscar na tabela TUSS: é revisar o contrato de credenciamento, o aditivo assinado ou o comunicado formal enviado pela operadora sobre o novo valor vigente.
A diferença entre TUSS e TISS costuma confundir quem está começando a lidar com faturamento de convênio. TISS é o padrão completo de troca de informação em saúde suplementar, que inclui layout de guia, regras de preenchimento e fluxo de envio. TUSS é apenas o componente de terminologia dentro desse padrão, o dicionário de códigos que qualquer guia TISS usa para descrever procedimentos, materiais e eventos. Quem quiser entender o preenchimento completo da guia deve consultar o guia sobre o que é a guia TISS e como preenchê-la.
Quando a clínica pode cobrar acima da tabela contratada?
Só em situações específicas previstas em contrato ou aditivo, nunca por decisão unilateral no momento do atendimento. As três hipóteses mais comuns são reajuste anual já vigente, procedimento fora do rol original com preço a combinar, e cobrança de material ou órtese não incluído na tabela padrão.
Reajuste anual já vigente
Se o contrato prevê reajuste automático em data fixa, a clínica pode lançar o valor reajustado a partir dessa data, mesmo que a tabela publicada pela operadora ainda não tenha sido atualizada no sistema dela. Nesse caso, o recurso de glosa deve trazer a cláusula contratual como prova, não apenas o valor cobrado.
Procedimento fora do rol contratado
Quando a clínica realiza um procedimento que não constava na tabela original, o valor precisa ser negociado antes do atendimento, com autorização prévia da operadora registrada por escrito. Sem essa autorização, a cobrança acima da tabela padrão dificilmente sobrevive a um recurso.
Materiais e órteses
Materiais especiais, órteses e próteses costumam ter tabela separada da tabela de honorários. Lançar o valor do material dentro do campo de procedimento, em vez do campo correto da guia, é uma causa frequente de divergência que parece erro de preço mas é erro de preenchimento.
Quais são exemplos reais de divergência de valores?
Os casos mais comuns aparecem quando o índice de reajuste é aplicado em data diferente pela clínica e pela operadora, quando a tabela de honorários médicos é confundida com a tabela de pacote, ou quando o valor de urgência e emergência é lançado igual ao valor de consulta eletiva.
Em um exemplo ilustrativo, sem relação com dado publicado, uma clínica que atende consultas para uma operadora tem valor contratado de R$ 180 por consulta desde 2023. A operadora concede reajuste de 6% a partir de janeiro, mas o sistema interno da clínica só é atualizado em março, dois meses depois. Nesse intervalo, se a clínica lançar R$ 190,80 (valor já reajustado) e o sistema da operadora ainda processar a guia com a régua antiga de R$ 180, a diferença de R$ 10,80 por consulta gera glosa parcial em cada guia enviada naquele período, até que as duas partes alinhem a data de vigência do reajuste. O mesmo tipo de defasagem pode ocorrer no sentido inverso, quando é a clínica que demora a atualizar sua tabela e cobra a menos, gerando perda direta sem nem gerar glosa, porque nesse caso a operadora simplesmente paga o valor menor sem contestar.
Quanto custa a divergência de valores no fluxo de caixa?
O custo direto é o valor não pago na guia, mas o custo indireto é o tempo da equipe administrativa refazendo lote, reenviando documento e aguardando resposta do recurso, o que pode levar semanas. Não há, até a publicação deste texto, relatório público da ANS que discrimine a taxa de glosa especificamente por divergência de valor em relação ao total de guias processadas, o que reforça a importância de a própria clínica medir esse indicador internamente, lote a lote.
O caminho mais confiável é a clínica calcular sua própria taxa: dividir o número de guias glosadas por divergência de valor pelo total de guias enviadas no mês, por operadora. Esse indicador interno, comparado mês a mês, mostra se o problema está crescendo antes que ele afete o diagnóstico financeiro do negócio recomendado pelo Sebrae como prática de gestão.
Como comparar a tabela da clínica com a tabela da operadora?
O jeito mais confiável é manter uma planilha de conferência cruzada, atualizada a cada aditivo contratual, com o código TUSS, a descrição do procedimento, o valor vigente na clínica e o valor informado pela operadora no último demonstrativo de pagamento.
| Situação | Valor na clínica | Valor na operadora | Causa provável | Ação recomendada |
|---|---|---|---|---|
| Reajuste aplicado só pela clínica | R$ 220 | R$ 200 | Reajuste não homologado pela operadora | Anexar cláusula contratual no recurso |
| Tabela desatualizada no sistema interno | R$ 180 | R$ 200 | Sistema não recebeu o novo valor | Atualizar tabela antes do próximo lote |
| Material lançado como procedimento | R$ 350 | R$ 0 (código inexistente) | Erro de campo na guia | Corrigir preenchimento e reenviar |
| Procedimento fora do rol sem autorização | R$ 400 | R$ 0 | Falta autorização prévia | Solicitar autorização retroativa, se o contrato permitir |
Essa tabela funciona como checklist rápido antes de decidir se o caso é glosa por preço ou glosa por preenchimento, o que muda completamente o documento a anexar no recurso.
O passo prático de comparação segue quatro etapas: primeiro, exportar do sistema da clínica a lista de códigos TUSS usados no mês com o valor lançado em cada guia; segundo, exportar do portal da operadora o demonstrativo de pagamento do mesmo período; terceiro, cruzar as duas listas por código e por data de atendimento; quarto, isolar apenas as linhas em que o valor pago diverge do valor lançado, separando reajuste não aplicado de erro de preenchimento. Fazer essa comparação manualmente em planilha funciona, mas cresce em complexidade conforme aumenta o número de operadoras e de códigos usados pela clínica. Existem sistemas de gestão que automatizam essa conferência: na Salte, por exemplo, o sistema compara automaticamente a tabela interna cadastrada por operadora com o valor lançado em cada guia antes do envio do lote, e sinaliza a divergência para correção prévia, o que evita que o erro só seja descoberto semanas depois, no demonstrativo de glosa.
Como contestar a glosa por divergência de valores?
O recurso precisa provar qual valor está correto e por quê, com o contrato ou aditivo como prova principal, não apenas a alegação de que o preço está errado. Sem esse documento, a operadora tende a manter a glosa porque o sistema dela está automaticamente rejeitando o que não bate com a tabela cadastrada internamente.
O passo a passo básico é: localizar a cláusula de preço ou reajuste no contrato vigente, calcular a diferença exata entre o valor cobrado e o valor pago, redigir a justificativa citando o artigo ou cláusula contratual, e anexar cópia do contrato ou aditivo ao formulário de recurso da operadora. Para o passo a passo completo de prazos e formulários, vale seguir o guia de recurso de glosa passo a passo para contestar junto à operadora.
O prazo para contestação varia por operadora e está definido em contrato, sem um número único válido para todo o mercado. A ANS não fixa um prazo padrão nacional de contestação de glosa entre prestador e operadora, deixando essa regra para a negociação contratual de cada credenciamento, o que reforça a necessidade de a clínica manter o contrato à mão e um controle de datas por lote enviado, para não perder o prazo específico daquela operadora.
Como evitar a divergência de valores desde o credenciamento?
A prevenção começa na assinatura do contrato de credenciamento, quando a tabela de preços por código TUSS deveria ser anexada como parte integrante do documento, com data de vigência clara e regra de reajuste explícita. Isso evita disputa sobre qual valor era o vigente na data do atendimento.
Durante o credenciamento em convênio médico, peça sempre a tabela de preços em arquivo separado, não apenas a referência genérica dentro do contrato. Depois, cada vez que a operadora anunciar reajuste, atualize o sistema interno da clínica na mesma data, e guarde o comunicado oficial do reajuste junto ao contrato, porque esse documento é a prova que sustenta qualquer recurso futuro.
Também ajuda revisar o checklist de preenchimento da guia antes do envio do lote. Muitos casos que parecem divergência de valor na verdade são erro de código ou de campo na guia TISS, e corrigir isso na origem evita o ciclo de glosa e recurso que consome tempo da equipe administrativa. O checklist de 12 pontos na guia TISS ajuda a distinguir os dois problemas antes do envio.
O que fazer nesta semana
Primeiro dia: reúna os contratos vigentes de cada operadora credenciada e localize, dentro de cada um, a cláusula de reajuste e a data em que o último índice foi aplicado. Anote em uma planilha com as colunas código TUSS, descrição do procedimento, valor vigente na clínica, valor vigente na operadora, data do último reajuste aplicado e data de vencimento do prazo de contestação daquele contrato.
Segundo e terceiro dia: exporte do sistema de gestão da clínica todas as guias enviadas nos últimos três meses para cada operadora e separe as que retornaram com glosa por divergência de valor. Preencha na mesma planilha a coluna diferença de valor, subtraindo o valor pago do valor cobrado, e a coluna prazo restante, contando a partir da data do demonstrativo de pagamento até o limite contratual de contestação.
Quarto dia: classifique cada linha da planilha em uma das quatro causas da tabela deste post (reajuste não homologado, tabela interna desatualizada, material lançado como procedimento, ou procedimento fora do rol) e monte a pasta de documentos de cada recurso com contrato, aditivo e demonstrativo anexados.
Quinto dia: envie os recursos cujo prazo contratual está mais próximo de vencer primeiro, e agende no calendário da clínica a data do próximo reajuste contratual conhecido, para que a atualização da tabela interna aconteça no mesmo dia da vigência, sem intervalo que gere nova divergência no mês seguinte.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre TUSS e TISS?
TISS é o padrão completo de troca de informação em saúde suplementar, que define layout de guia, regras de preenchimento e fluxo de envio entre prestador e operadora. TUSS é o componente de terminologia dentro desse padrão, o conjunto de códigos usados para descrever procedimentos, materiais e eventos em saúde. Toda guia TISS usa códigos TUSS, mas o valor pago por cada código não faz parte do padrão TUSS.
Onde encontrar a tabela TUSS atualizada?
A tabela TUSS fica publicada dentro da página do padrão TISS mantida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, no componente organizacional que reúne as tabelas de domínio usadas nas guias. A ANS revisa esse componente periodicamente, e vale conferir a versão vigente antes de configurar o sistema interno da clínica, especialmente após lançamento de novos códigos.
A tabela TUSS define o preço do procedimento?
Não. A tabela TUSS padroniza apenas o código e a descrição do procedimento em todo o território nacional. O valor pago por cada código é definido em contrato bilateral entre a clínica e cada operadora, o que explica por que duas operadoras podem pagar valores diferentes pelo mesmo código TUSS.
Quanto tempo a clínica tem para contestar uma glosa por divergência de valor?
O prazo varia por operadora e fica definido no contrato de credenciamento, sem um limite único fixado nacionalmente pela ANS para essa negociação entre prestador e operadora. Por isso, é necessário consultar a cláusula específica de cada contrato e manter controle de datas por lote enviado, para não perder o prazo daquela operadora.
O que fazer quando a operadora não responde ao recurso de glosa?
Reenvie a documentação pelo mesmo canal formal usado no protocolo original, guardando o número do protocolo como prova de envio dentro do prazo. Se o contrato prevê canal de ouvidoria ou setor específico de faturamento, escale o caso por esse canal antes de considerar o valor perdido, sempre registrando datas e respostas recebidas.
Fontes consultadas
- Padrão TISS - Agência Nacional de Saúde Suplementar (gov.br)
- Padrão TISS - Componente Organizacional (gov.br)
- Saiba a importância de fazer um bom diagnóstico financeiro do seu negócio (agenciasebrae.com.br)
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Conteúdo e produtoO Time Salte reúne quem constrói e opera o produto da Salte no dia a dia. Os textos deste blog são produzidos com apoio de inteligência artificial e revisados pelo time de produto antes da publicação. Fontes, normas e números citados são conferidos e atualizados quando a regra muda.


