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Faturamento TISS e glosas

Guia TISS: o que é, como preencher e por que importa para o faturamento

Guia TISS é o documento eletrônico padronizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) usado por clínicas, consultórios e hospitais para cobrar operadoras de plano de saúde pelos atendimentos realizados. Existem seis tipos de guia, cada um ligado a uma situação clínica específica, e o preenchimento correto delas é o que garante o pagamento sem glosa e mantém o fluxo de caixa da clínica previsível.

Time Salte10 min de leitura

Ilustração abstrata de documentos e ícones conectados representando o fluxo de faturamento por guias TISS

O que é o padrão TISS e para que ele serve?

TISS significa Troca de Informação em Saúde Suplementar. É o padrão obrigatório criado pela ANS para organizar a comunicação entre prestadores de serviço de saúde, como clínicas e hospitais, e as operadoras de planos privados de saúde.

Antes do TISS, cada operadora tinha seu próprio formulário de cobrança, o que multiplicava o trabalho da recepção e do setor financeiro. O padrão TISS da ANS unifica esse processo em um único formato eletrônico, válido para qualquer operadora regulada pela agência.

A norma TISS estabelece o conteúdo e a forma de envio de dados administrativos, clínicos e financeiros entre operadoras de planos privados de saúde e prestadores de serviços de saúde, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O padrão é usado por toda a cadeia de saúde suplementar. Segundo os dados e indicadores do setor da ANS, o Brasil tem mais de 50 milhões de beneficiários de planos privados de saúde em atividade, número que dá a escala do volume de guias TISS trafegando entre prestadores e operadoras todos os meses. Para a clínica, isso significa que o padrão não é um detalhe técnico do sistema, é a porta de entrada de uma parte relevante da receita mensal.

Quais são os componentes técnicos do padrão TISS?

O padrão TISS é dividido em três componentes técnicos, e entender essa divisão ajuda a saber onde cada problema de faturamento se origina.

  • Componente de organização: define o fluxo de troca de informação entre prestador e operadora, incluindo prazos e forma de autorização prévia.
  • Componente de conteúdo e representação: define os campos de cada guia e as tabelas de codificação, como a tabela TUSS.
  • Componente de comunicação: define o formato eletrônico (arquivo XML) usado para enviar as guias por sistema.

Na prática, quando a clínica reclama que "o sistema não bate com o do convênio", o problema quase sempre está no componente de comunicação, ou seja, na versão do leiaute XML usada. A ANS atualiza esse leiaute periodicamente, e prestador e operadora precisam estar na mesma versão para o arquivo ser aceito. Quando a clínica troca de sistema de gestão, vale confirmar com o fornecedor qual versão do padrão está implementada antes de migrar o histórico de guias.

Quais tipos de guia TISS existem?

Cada atendimento tem uma guia específica. Usar a guia errada é motivo automático de glosa administrativa, antes mesmo de a operadora avaliar o conteúdo clínico do atendimento.

Tipo de guia Quando usar
Guia de Consulta Atendimento ambulatorial simples, sem procedimento associado
Guia de SP/SADT Serviço de apoio diagnóstico e terapêutico, como exame ou sessão de fisioterapia
Guia de Resumo de Internação Fechamento de conta após alta hospitalar
Guia de Solicitação de Internação Pedido de autorização antes da internação
Guia de Honorário Individual Cobrança de honorário de profissional que atuou dentro de um procedimento já faturado por outra guia
Guia de Tratamento Odontológico Procedimentos odontológicos, incluindo plano de tratamento

Uma clínica de fisioterapia, por exemplo, usa a guia SP/SADT para cada sessão. Um consultório médico de rotina usa a guia de consulta. Já um centro cirúrgico que atende paciente internado normalmente lida com a guia de solicitação de internação seguida da guia de resumo de internação no fechamento da conta, e pode ainda precisar da guia de honorário individual para cada profissional que atuou no procedimento.

O que muda para a odontologia?

No caso de clínicas odontológicas, o fluxo segue as mesmas regras gerais do padrão TISS, mas usa a guia própria de tratamento odontológico, que detalha dente, face e procedimento realizado. A divulgação de serviços odontológicos, incluindo qualquer peça sobre convênio, segue a Resolução CFO 196/2019, que proíbe menção a preço, desconto ou promoção mesmo quando o tema é faturamento de convênio. Isso vale também para material de comunicação interna que circula fora do consultório, como post em rede social sobre atendimento por plano dental.

Como funciona o fluxo de envio das guias?

O fluxo típico tem quatro etapas: atendimento, geração da guia, envio do lote e conferência do retorno. Cada etapa tem um ponto de falha diferente, e conhecer esses pontos é o que separa uma clínica com glosa baixa de uma que perde receita todo mês sem perceber onde.

  1. Atendimento: a recepção confirma que o beneficiário está ativo no convênio e que o procedimento está autorizado, quando exigido pela operadora.
  2. Geração da guia: o profissional ou a secretaria preenche os dados do atendimento no sistema, incluindo o código do procedimento pela tabela TUSS e a identificação correta do beneficiário.
  3. Envio do lote: as guias são agrupadas em lote e enviadas eletronicamente à operadora, normalmente uma vez por mês, respeitando a data limite prevista em contrato.
  4. Conferência do retorno: a operadora devolve um demonstrativo de pagamento, apontando o que foi pago, o que foi glosado e o motivo de cada glosa.

O ponto crítico da maioria das clínicas está entre as etapas 2 e 3: uma guia gerada com erro de código, de data ou de identificação do beneficiário some do lote sem ninguém perceber até o fechamento do mês, quando já é tarde para corrigir antes do envio. Uma rotina simples de conferência antes de fechar o lote resolve boa parte desse problema.

Quais são os prazos de envio e pagamento?

A Resolução Normativa 305/2012 da ANS regula prazos entre operadora e prestador, e o prazo de referência mais citado é o pagamento em até 30 dias após a entrega da fatura pelo prestador, salvo condição diferente pactuada em contrato. A norma completa está disponível na página de legislação da ANS.

Cada operadora define, dentro do contrato, a data limite para o prestador enviar o lote de guias do mês, geralmente entre o quinto e o décimo dia útil do mês seguinte ao atendimento. Perder essa data não cancela o direito ao pagamento, mas empurra a fatura para o ciclo seguinte, o que afeta diretamente o fluxo de caixa da clínica.

Exemplo numérico de impacto no caixa

Imagine uma clínica que atende 200 consultas por convênio no mês, com ticket médio de R$ 150 por consulta faturada. Isso equivale a R$ 30.000 em faturamento de convênio. Se o lote atrasa quinze dias porque a conferência de guias não foi feita a tempo, esse valor só entra no caixa do mês seguinte, o que pode comprometer o pagamento de folha e repasse de profissionais no mês corrente.

Agora leve o mesmo exemplo para a glosa. Se 8% das guias voltam glosadas por erro administrativo, algo comum em clínicas sem checklist de conferência, isso representa R$ 2.400 do faturamento do mês que depende de recurso para ser recuperado, com prazo adicional de semanas até o pagamento efetivo. Multiplicado por doze meses, o valor em disputa passa de R$ 28.000 por ano, só de glosa evitável.

Por que a guia TISS gera glosa e como reduzir o risco?

Glosa é a recusa total ou parcial de pagamento de um item da guia pela operadora, e a maior parte das glosas administrativas nasce de erro de preenchimento, não de questão clínica do atendimento.

As causas mais comuns incluem:

  • código de procedimento divergente da tabela TUSS vigente
  • número de carteirinha ou dado do beneficiário incorreto
  • ausência de autorização prévia quando exigida pela operadora
  • data de atendimento fora do prazo de validade da guia
  • guia enviada em duplicidade
  • divergência entre o profissional executante cadastrado e o que constava na autorização

A forma mais direta de reduzir esse risco é conferir a guia antes do envio, e não depois do retorno da operadora. Uma checklist simples de conferência, feita pela secretaria antes de fechar o lote, evita que o erro só apareça um mês depois, quando o dinheiro já devia estar no caixa. Quando a glosa acontece, o prestador tem direito a recurso, apresentando justificativa e documentação dentro do prazo definido em contrato com cada operadora, e o primeiro passo sempre é identificar o motivo exato descrito no demonstrativo de pagamento.

Como a tabela TUSS se relaciona com a guia TISS?

A tabela TUSS, sigla de Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, é o dicionário de códigos usado dentro das guias TISS. Cada procedimento, material, medicamento ou órtese e prótese tem um código próprio, e esse código é o que a operadora usa para calcular o valor a pagar.

Usar um código TUSS defasado, de uma versão anterior da tabela, é uma das causas de glosa que passa despercebida até o retorno da operadora. A ANS publica atualizações periódicas da tabela, e o sistema de gestão da clínica precisa estar sincronizado com a versão vigente para evitar essa divergência. Vale conferir, pelo menos uma vez por semestre, se o sistema usado pela clínica já está na versão mais recente da tabela e do leiaute TISS.

O que é preciso para credenciar a clínica junto a uma operadora?

Credenciamento é o processo pelo qual a clínica passa a fazer parte da rede de prestadores de uma operadora, e ele antecede qualquer envio de guia TISS. Sem credenciamento ativo, a guia é rejeitada mesmo com preenchimento correto.

O processo costuma exigir CNPJ ativo, alvará de funcionamento, registro no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), documentação dos profissionais que atuarão pela clínica e assinatura de contrato com a tabela de procedimentos e valores negociados. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o Brasil tem centenas de milhares de estabelecimentos de saúde ativos, o que dá ideia da escala de prestadores que passam por esse processo de credenciamento e recredenciamento periódico junto às operadoras.

Manter esse cadastro atualizado importa tanto quanto preencher a guia certo. Mudança de endereço, inclusão de novo profissional ou alteração de especialidade sem atualização no cadastro da operadora é motivo frequente de glosa por "prestador não habilitado", mesmo quando o atendimento foi feito corretamente.

Quais indicadores acompanhar para não perder dinheiro no meio do caminho?

Três indicadores dão uma visão rápida da saúde do faturamento de convênio: taxa de glosa (percentual do valor faturado que volta glosado), tempo médio entre envio do lote e recebimento, e valor em disputa aberto, ou seja, quanto está parado esperando recurso.

Acompanhar esses três números mês a mês, por convênio, mostra padrões que passam despercebidos em uma análise só do total faturado. Uma operadora pode ter taxa de glosa de 2% e outra de 15% na mesma clínica, e essa diferença muda a prioridade de negociação e de conferência interna. Ferramentas como a Salte ajudam nesse ponto ao reunir guias enviadas, pagas e glosadas em um único painel, o que facilita separar glosa por operadora e por motivo antes que o problema se repita mês após mês.

O que fazer esta semana

Revise o fluxo de envio de guias da clínica nos últimos três meses e separe as glosas por motivo e por operadora. Se a maior parte for erro de cadastro ou código TUSS defasado, o ajuste é simples: crie uma checklist de conferência antes do envio do lote e defina quem, na equipe, é responsável por revisar a guia antes de ela sair da clínica. Confirme também se o cadastro da clínica e dos profissionais está atualizado em cada operadora. Esse ajuste operacional, sem custo, costuma resolver a maior parte da glosa evitável.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre guia TISS e tabela TUSS?

A guia TISS é o documento eletrônico usado para cobrar a operadora, e a tabela TUSS é o dicionário de códigos usado dentro dessa guia para identificar cada procedimento, material ou medicamento. A guia é o formulário, a tabela é o conteúdo padronizado que preenche os campos de procedimento dentro dele.

Toda clínica que atende convênio precisa usar o padrão TISS?

Sim. O padrão TISS é obrigatório para prestadores que faturam operadoras de planos privados de saúde reguladas pela ANS, independente do porte da clínica. Consultórios pequenos costumam usar sistema de gestão que gera a guia automaticamente, sem exigir digitação manual do leiaute técnico.

O que fazer quando a operadora glosa uma guia TISS?

O prestador tem direito a recorrer da glosa apresentando justificativa e, quando necessário, documentação complementar dentro do prazo definido em contrato com a operadora. O primeiro passo é identificar o motivo exato da glosa no demonstrativo de pagamento antes de contestar, porque cada motivo pede um tipo de recurso diferente.

A guia TISS serve para plano de saúde e para SUS?

Não. O padrão TISS é exclusivo da saúde suplementar, ou seja, planos privados de saúde regulados pela ANS. O faturamento de atendimento pelo Sistema Único de Saúde segue outro fluxo, ligado ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e aos sistemas próprios do Ministério da Saúde.

Quanto tempo a operadora tem para pagar uma guia TISS enviada corretamente?

A referência geral da Resolução Normativa 305/2012 da ANS é o pagamento em até 30 dias após a entrega da fatura pelo prestador, podendo variar conforme o que está definido no contrato entre a clínica e a operadora. Vale sempre confirmar o prazo específico pactuado com cada operadora.

O que é preciso para uma clínica se credenciar a um convênio?

O credenciamento normalmente exige CNPJ ativo, alvará de funcionamento, registro no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, documentação dos profissionais e contrato assinado com a tabela de procedimentos negociada. Manter esse cadastro atualizado evita glosa por prestador não habilitado, mesmo quando o atendimento foi feito corretamente.

Fontes consultadas

  1. Padrão TISS - Componente Organizacional (versão 202603) (gov.br)
  2. Dados e indicadores do setor - ANS (gov.br)
  3. Resolução CFO-196/2019 (website.cfo.org.br)

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