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Faturamento TISS e glosas

Como evitar glosa médica: checklist de 12 pontos na guia TISS

Para evitar glosa médica, a clínica precisa fechar as brechas em quatro momentos: credenciamento do profissional, conferência antes do atendimento, preenchimento da guia TISS e revisão do lote antes do envio. A maior parte da glosa não é fraude, é dado cadastral errado, código TUSS incompatível ou falta de autorização prévia. Um checklist fixo em cada fase corta retrabalho.

Time Salte5 min de leitura

Ilustração abstrata de checklist e documentos representando revisão de guias e glosas

Por que a glosa acontece mesmo em clínicas organizadas?

A glosa surge quando a operadora encontra qualquer divergência entre o que foi faturado e o que o contrato ou a norma permite. O padrão TISS (Troca de Informação em Saúde) é obrigatório desde 2012 por resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar, justamente para padronizar essa troca entre prestador e operadora. Quanto mais manual for o processo de preenchimento, maior a chance de erro humano se repetir em todo o lote.

A norma TISS estabelece padrões para integração e padronização das informações administrativas, clínicas e financeiras entre operadoras e prestadores de serviços de saúde, conforme orientação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A seguir, o checklist organizado por fase. Cada item tem responsável e o efeito prático de deixar passar.

Fase 1: Credenciamento e cadastro

Erro de cadastro é a causa mais comum de glosa administrativa, porque acontece antes mesmo da consulta e se repete em todas as guias seguintes.

  • 1. Cadastro do profissional atualizado na operadora (CRM ou CRO, especialidade, RQE). Responsável: gestor administrativo. Se faltar, a guia é rejeitada por "profissional não localizado" e o lote inteiro pode travar.
  • 2. Cadastro do estabelecimento atualizado no CNES. Responsável: gestor da clínica. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde é referência para operadoras confirmarem quem prestou o serviço. Sem atualização, a operadora glosa por prestador não identificado.
  • 3. Tabela de procedimentos e contrato vigente conferidos. Responsável: financeiro. Procedimento fora da tabela contratada gera glosa por falta de cobertura, mesmo que o código TUSS esteja certo.

Fase 2: Antes do atendimento

A conferência na recepção evita que a clínica descubra o problema só quando a guia já foi enviada e recusada.

  • 4. Elegibilidade e validade da carteirinha verificadas. Responsável: recepção. Beneficiário com plano suspenso ou carteirinha vencida gera glosa por falta de cobertura na data do atendimento.
  • 5. Autorização prévia confirmada para procedimentos que exigem. Responsável: recepção ou secretaria. Exames de maior custo e procedimentos eletivos costumam exigir senha prévia; sem ela, a glosa é praticamente automática.
  • 6. Checagem se o procedimento pede guia de solicitação separada. Responsável: secretaria. Faturar direto sem a guia de solicitação correspondente é motivo comum de negativa de pagamento.

Fase 3: No preenchimento da guia TISS

Aqui está o núcleo do problema: divergência de código, de data ou de justificativa clínica. Para entender a estrutura completa da guia, vale revisar o guia TISS e como preencher cada campo antes de treinar a equipe.

  • 7. Código da tabela TUSS correto para procedimento, exame e material. Responsável: quem fatura. Código errado ou desatualizado é glosa técnica quase certa, porque o sistema da operadora recusa automaticamente.
  • 8. Dados do beneficiário idênticos à carteirinha (nome completo, número, validade). Responsável: faturista. Qualquer divergência, mesmo de um dígito, gera glosa cadastral.
  • 9. CID e indicação clínica compatíveis com o procedimento, quando exigido pela operadora. Responsável: profissional em conjunto com o faturista. Falta de justificativa clínica é motivo recorrente de glosa técnica em exames e procedimentos de maior complexidade.
  • 10. Data de atendimento coerente com a data de autorização. Responsável: faturista. Data divergente entre execução e autorização é um dos erros mais fáceis de evitar e um dos mais glosados.

Fase 4: Antes de enviar o lote

O lote não deve sair sem uma segunda conferência, porque um erro isolado pode se repetir em dezenas de guias.

  • 11. Revisão cruzada do lote por outra pessoa antes do envio. Responsável: supervisor financeiro ou gestor. Sem essa dupla checagem, um erro de preenchimento pode glosar o lote inteiro, não só uma guia.
  • 12. Guarda de comprovantes (autorização, senha, laudo de exame) anexados ou arquivados. Responsável: faturista ou arquivo. Sem o documento, a clínica perde o direito de recorrer da glosa depois, porque não tem como comprovar a autorização.

Glosa administrativa, técnica ou linear: qual é a diferença?

Saber o tipo de glosa ajuda a direcionar o recurso para o setor certo dentro da clínica.

Tipo de glosa Causa comum Como evitar
Administrativa Dado cadastral do beneficiário ou do prestador divergente Conferir carteirinha e CNES antes de faturar
Técnica Código TUSS incompatível, falta de CID ou de justificativa clínica Padronizar preenchimento e revisar tabela vigente
Linear (glosa em lote) Mesmo erro repetido em várias guias do mesmo envio Revisão cruzada antes do envio do lote

O que a operadora tem que fazer depois da glosa?

A operadora precisa informar por escrito o motivo da glosa, guia a guia, para que o prestador tenha base para recorrer. Isso está dentro das obrigações de comunicação previstas nas normas do padrão TISS da ANS. Sem esse detalhamento, a clínica não consegue corrigir o processo internamente, só empilhar recurso.

Manter reserva financeira para cobrir o intervalo entre atendimento e repasse também importa: recomendações de gestão financeira do Sebrae para pequenos negócios costumam indicar capital de giro equivalente a alguns meses de despesa fixa, justamente para absorver atraso de recebimento por glosa ou reanálise.

O que fazer esta semana

Imprima este checklist e cole na recepção e no setor financeiro. Escolha um responsável fixo por fase, não por pessoa disponível no dia. Depois, pegue as últimas glosas recebidas pela clínica e classifique cada uma nas 12 casas acima: isso mostra exatamente em qual fase o processo está furando e onde treinar a equipe primeiro.

Perguntas frequentes

Qual é o prazo para recorrer de uma glosa na guia TISS?

O prazo varia por contrato entre a clínica e a operadora, por isso é preciso conferir a cláusula específica de recurso de glosa no contrato de credenciamento. Em geral, operadoras dão uma janela de dias corridos após a comunicação da glosa. Guardar a data exata da notificação evita perder o prazo por atraso na conferência interna.

Quem deve ser o responsável por revisar o lote antes do envio?

Idealmente uma pessoa diferente de quem preencheu a guia original, para funcionar como segunda checagem. Em clínicas pequenas, pode ser o próprio gestor ou o responsável financeiro. O ponto central é nunca deixar quem digitou a guia ser também quem valida o lote inteiro.

Código TUSS errado sempre gera glosa técnica?

Na maioria dos casos sim, porque o sistema da operadora faz a validação automática do código contra a tabela vigente. Código desatualizado, incompatível com o procedimento ou fora da tabela contratada é recusado antes mesmo de chegar à análise humana. Manter a tabela TUSS atualizada no sistema de faturamento reduz esse tipo de erro.

O que fazer se a operadora glosar o lote inteiro por um erro só?

Identifique o campo que causou o erro comum em todas as guias, corrija e reenvie apenas as guias afetadas, sem reenviar o lote completo se parte dele já foi paga. Documente o erro para não repetir na próxima competência. Esse é o motivo pelo qual a revisão cruzada antes do envio é o item mais barato do checklist.

A clínica pode terceirizar o preenchimento da guia TISS para reduzir glosa?

Sim, algumas clínicas contratam faturista terceirizado ou usam sistema de gestão que já valida código TUSS e dados cadastrais antes do envio. Isso reduz erro humano recorrente, mas não substitui a conferência de autorização prévia e de elegibilidade, que continuam sendo responsabilidade da recepção no momento do atendimento.

Fontes consultadas

  1. Padrão TISS - Agência Nacional de Saúde Suplementar (gov.br)

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Escrito por

Time Salte

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